Sentimentos & Futilidades

Sentimentos & Futilidades

quinta-feira, 29 de março de 2018

Você é sua prioridade.

​ A reciprocidade precisa vir de dentro; espontaneamente. Qualquer coisa contrária a isso, é “estar na zona de conforto”. Não aceite menos do que você mereça por medo da solidão. Não deixe a carência te fazer aceitar metades, meios alguéns! Não se contente com segundo, terceiro e último lugar; seja você sua prioridade e a parte que te falta, você nasceu inteirx! Às vezes precisamos engolir nossos corações e nos amar por dentro, porque ninguém vai ser capaz de nos amar tão genuinamente quanto nós mesmos.


domingo, 18 de fevereiro de 2018

Suas "palavras-tijolo" me quebram.

​ Se tu soubesses o quanto o silêncio é sagrado e resiliente, o praticarias mais. Se tu soubesses que sou de vidro, saberias que suas “palavras-tijolo” me quebram. Se tu soubesses quanta fragilidade cabe dentro deste ventríloquo, meu bem, não me arrastarias por teus caminhos como se fosse boneca de pano. Ah, se eu soubesse que tu não sabias das coisas, saberia que também nada sei... é por isso que tanto falas, que me quebras e me arrastas... porque sabes que não sei. Porque sei que não sei... então eu ouço, me despedaço e me junto. Porque no fundo, também sei que não sei.


segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Nadar no teu corpo.

Quero numa superfície plana, nadar no teu corpo. Alcançar tua boca sem precisar ficar na ponta dos pés. Você me chama de "minha puta" enquanto me beija e me torce os mamilos. Me agride, mas me acaricia. Que delícia! Sua puta. Meus gemidos me entregaram. Réu confesso.



quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Estou do avesso.

​ A natureza escuta pacientemente o esbravejar do meu silêncio. Meu pensamento voa como uma gaivota livre, rente às águas do mar. Suas asas tão lindas, abertas e seguras, mantêm-se firmes, cortando o ar. E o meu silêncio? Bom, o meu silêncio fala mais que o sermão de um pastor, mas minhas palavras são ocas e não dizem nada. Olho para dentro e para fora de mim, e percebo que estou do avesso. A natureza ouve meu silêncio, mas mesmo sem falar, me consola dizendo que é necessário trocar as folhas.


Centro.

​ A gente sabe que existe centro... sabe que existe centro espírita (e visita pelo menos uma vez na vida), sabe que existe o centro da terra, os centro das cidades... mas ignora o centro do nosso ser. O núcleo que guarda todo o nosso “código genético”, o centro que é nosso porto. O centro que é onde a gente quer ir quando se encontra perdido nas máscaras que usamos de supostas personalidades que possuímos. A gente acredita em centro, mas abandona. Abandona porque a gente cresce, e a partir daí entra em formas que a sociedade obriga a entrar. A gente sabe que existe um centro guardado por camadas frias, que já quase esqueciam que a gente já foi criança; que subia no sapato da mãe, que vestia a camisa do pai, que queria ser adulto, mas não sabia que ser adulto era ser igual robô. E quando a gente cresce, quer se isentar das responsabilidades, quer alguém que cuide da gente, quer ser criança de novo. Quer correr livre, ralar os joelhos, tomar banho de chuva, voltar pra casa sujo de terra e até tomar uma chinelada da mãe. A gente quer, porque tá guardado no centro, e foi gostoso. E é o que a gente é, mas não pode ser.


A diferença da tua solidez para a minha liquidez.

​ Só me diz a diferença da tua solidez para a minha liquidez, quando a tua solidez se esfarela e escapa dentre os dedos; me diz porque para ti minha liberdade é libertinagem, e tua necessidade de concretar-me a ti não passa de uma solidez consideravelmente clássica, aristotélica. Diga, então, porque meu desapego e amor livre são construções sociais e o teu apego e tuas correntes não. Diz também porquê devo viver um amor romântico Hollywoodiano se meu espírito é flecha, ação e fantasia. Aproveite e me diga também porquê devo eu levar uma vida baseada nas tuas normas ABNT do viver, se o bonito da vida é ser você. Então, meu bem, vai com teu segundo, que eu vou com meus terceiros, quartos, quintos e infinitos alguéns... Vá e sê feliz, que eu hei de ser também!


quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Alguém que ama o vento.

O vento me acariciando o rosto é quase poético. A força com que o ar invade meus pulmões e sai depressa é como uma montanha russa possuindo a graça de uma bailarina. Meus olhos se fecham em êxtase enquanto busco nas lembranças uma última sensação parecida. Ah, nesta minha queda livre, tento abraçar o mesmo ar que antes me acariciava o rosto e agora me acaricia todo o corpo. Vou contra o vento apenas para me permitir ser tocado com o toque que mais me desarma. Ando contra o vento e me entrego como jamais me entreguei antes na cama ou fora dela, sentindo inveja de cada ave que dança suavemente no sétimo céu, enquanto a anatomia do meu corpo humano me prende a este mesmo chão onde caminho. Anjo sem asas, pássaro na gaiola, avião sem combustível, mas alguém que ama o vento, mesmo sem a graça de poder voar.


Eu gosto do toque.

Eu não sei o que seria de mim sem o toque, sem o abraço, sem o olhar nos olhos, sem parar para prestar atenção em alguém e torná-lo o sol por breves instantes. Eu não sei o que seria de mim sem meus lábios no rosto de outrem num cumprimento, mesmo sabendo que nunca tocamos algo ou alguém de verdade. Testo a repulsão elétrica na tentativa de vencê-la e provocar uma fusão nuclear dos átomos de hidrogênio com a força do pensamento. Eu gosto do toque porque ele me faz sentir vivo durante a eternidade dos segundos em que dura. Quando toco, fico em câmera lenta. Sinto cada átomo na região estimulada. Homo sapiens. Humano. Poeira estelar. Átomo. Microbioma. "It's a match!". Todo o infinito de mim esvaziando-se para transbordar num toque.


quinta-feira, 13 de julho de 2017

Ame em cada porto que ancorar.

Que minha vontade de me derramar, seja maior que a de permanecer onde estou. Que eu me derrame, e se der, ame em cada porto que ancorar. Que eu enxergue a poesia do navegar, e aceite que para chegar a qualquer lugar, é necessário percorrer algum caminho. E quando o azul do mar e o azul do céu se unirem no horizonte, sem que eu saiba mais se são os peixes nadando no céu ou as aves voando no mar, eu sinta o infinito de mim, do mar e do amar.


quinta-feira, 6 de julho de 2017

A soma vermelha me pesa.

​ Eu vi a luz. Próxima. Distante. A luz tinha cores, as cores tinham sons. Que vozes insuportáveis! Por um momento, andei sobre elas e me fixei o olhar exclusivamente àquele ambiente urbano. Os sentimentos fervendo nas veias. E quando em mim eu entro, sou capaz de ver também tudo o que em mim eu sinto vibrar. Essa dor que me inflama, me indica onde devo melhorar. A soma vermelha me devasta, mas não por mim. Eu sinto dor, mas não por mim. A soma vermelha me pesa. Dentro dela, escrito "decepção". Isso que pesa. As cores somem, mas o vermelho... ah, o vermelho! O vermelho me corrompe. O vermelho sou eu e me machuca. Os sons têm luzes, as luzes têm sons... e agora a frequência do som concentrou-se em uma nota. A nota vermelha. Soma. Vermelha. Agora o gosto almiscarado na boca, me lembra a amargura do sangue que disseleciona, separa e exclui.